AUTO DE
SÃO SEBASTIÃO
(Abílio De
Vasconcelos)
Narrador I: Vou marrar-lhes uma vida
Dum Santo bem popular
Que nasceu lá em Milão
E foi pra Roma morar.
Sebastião é seu nome.
Defensor da fé cristã,
Adotou para seu lema:
- A fé sem obras é vã.
Milão
Roma foi só ida
Pela via mais moderna,
Chegou
por lá como hóspede
E encontrou a vida eterna.
Narrador II: A
cidade incandescente
Fritava em pleno inverno
Com o sangue dos cristãos,
Enraivecendo o inferno.
O
Imperador romano
Declarou guerra aos cristãos
Que adoravam um só Deus
E
viviam como irmãos.
Narrador I: E no
fragor dessa luta
Uma
ideia genial :
Pra defender os cristãos
Tem
que ser um general.
Começando por soldado
Lá
bem no meio do povo:
Sebastião, manso cordeiro,
Por cima roupa de lobo.
Narrador II:
Galgando de posto em posto,
Cativou o Superior
Que
o fez chefe das tropas,
Centurião
do Imperador.
A
perseguição nas ruas
Aos
cristãos era demais.
O
Imperador não perdoava:
Seus
golpes eram mortais.
Lavava
as ruas de Roma
Com sangue dos inocentes;
Quanto mais ele matava
Mais aumentavam os crentes.
Narrador I: Num
desespero final,
O “imperador do mundo”
Chama seu fiel escudeiro
E ordena-lhe, furibundo:
Imperador: Sebastião, acaba logo
Co’a semente dos cristãos.
Na
Roma eterna dos deuses
Só pra mim s’ergam as mãos.
Um
a um me adorarão
No
Coliseu, que é meu templo.
Ali os levarás todos
E tu
lhes darás o exemplo:
Sebastião : - A
um só Deus adorarei,
Que
é O mesmo dos cristãos,
A
quem amo e amarei,
Pois
todos somos irmãos!
Narrador II: O Imperador ficou louco...
E
logo o mandou prender,
Ordenando aos seus soldados
Espancá-lo até morrer.
Foram tantas chicotadas
Que
só a força da fé
Faria a um ser humano
Manter-se ainda de pé...
Mas, os soldados voltaram
E
trouxeram outros mais...
Amarraram-no ao tronco
Deram-lhe socos mortais.
Narrador I : Sabendo o imperador
Que à morte sobreviveu,
Cravou-lhe o corpo de flechas...
E uma a uma floresceu!
Narrador II
: Por entre o canto dos Anjos
Na maior animação,
A voz de Deus fez-se ouvir:
Deus :
- Diz-me lá, Sebastião,
Onde vais querer morar,
Podes escolher de novo:
No céu com os coros dos
Anjos,
Ou na terra guiando o povo?
Sebastião : Se me é dado escolher,
Concede-me então a graça
De escolher um lugar lindo
Onde o povo acorre em massa.
Vou
ficar mesmo na terra,
Quero
ser o padroeiro
De
um povo encantador
Que
me cativou primeiro.
Deus: Quem
é, então, esse povo
A quem trocas pelo Céu,
Que supera o paraíso
E é pra ti maior troféu?
Sebastião: - Já
que me é dado escolher
Ser do povo padroeiro,
Quero ficar no Brasil...
Bem no Rio de Janeiro.