segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

SEDE DA SEDE QUE NÃO TENHO

SEDE DA SEDE 

                                           - VASCO DURIENSE
-No tórrido sertão em que o mundo vive,
Meu corpo qu
eima e nenhum consolo tive
De cães ferozes onde só ódio se ata!
Por isso aos Céus eu clamei: Senhor, justiça.

Na terra envolta em guerra podre e voraz,
A m
inha alma anseia por um reino de paz
E a retumbante derrota do terror!
Por isso, aos Céus implorei: chova o amor.

Sede da justiça que alivia a alma,
Sede do amor que meu coração acalma,
S
ede da paz que torça meu seco lenho.

Tudo em mim é sede atroz que me devora!
Mas meu maior pecado, confesso agora:
- Tenho sed
e... mas da sede que não tenho!

                                                                                     

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

DAI A DEUS O QUE É DE DEUS

 

AS DUAS MOEDAS


                                         - Vasco Duriense

Certo dia os fariseus
Tentaram pegar Jesus
.
Envolvendo-o num dilema
Para pregá-lo na cruz:

1
-Born Mestre, és homem sincero,
Mostras o caminho reto,
Tratas todos por igual...
Diz-nos, pois, o que é mais certo:

2
"César cobra alto tributo
A quem seu dinheiro usar;
Devemos pagar-lhe em dia
Ou nem devemos pagar?"

3
- Se aconselha não pagar,
Tem enrascada de novo;
Se, porém, manda pagar
Não é amigo do povo.

4
Conhecendo a maldade
Dos astutos fariseus,
Pediu-lhes uma moeda:
- É de César ou de Deus?

5
- É de César, responderam
Todos juntos, numa voz.
- Pois, então, dai-lhe o tributo...
Não pode ficar pra vós.


6
Lembrai-vos, ó hipócritas,
Que deveis coisa maior ...
Vós, que usais moeda de Deus,
Pagai tributo melhor:


7
- Dai a César, o de César,
As moedas sem valor;
Dai a Deus, o que é de Deus,
Não moedas... mas amor!


fim

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

AOS meus amigos INCRÉDULOS


AOS INCRÉDULOS


                                                                    - Vasco Duriense

Pelo sim e pelo não,
Eu não quero confusão,
Acredito no Além,
Pois, a morte me provou
Por aqui ninguém ficou.
- E disto, duvida alguém?
2
Se não adianta juntar,
Pois nada se vai levar,
Por que fazer tanta guerra,
Sofrer e fazer sofrer,
Se vai um dia morrer
E tudo fica na terra?
3
Se esta vida vivo em paz,
Mostro ser homem capaz
De viver cada momento
Da vida que me foi dada
Para ser aproveitada
Na alegria ou sofrimento.
4
Se nova vida vier
É lucro pra quem tiver
Preparadas suas malas,
Sem ser pego de surpresa
Com iguarias na mesa
E, por fim, ter que deixá-las.
5
Se não houver nova vida,
E a daqui não foi perdida,
Razão não há pra lamento.
Eu de mim vou pôr cartaz
Sobre a campa: - Aqui jaz
Uma vida cem por cento.
FIM