sábado, 26 de abril de 2014

ESTRELA DE NATAL


 

ESTRELA DE NATAL

 
                                                                             - Vasco Duriense
NATAL é a vida nova
Que renasce em cada lar;
NATAL, presente divino,
É a PAZ que vai chegar!
 
Os campanários acordam
E despertam para a LUZ
Que ilumina o universo
E tem a forma de CRUZ.
 
É a PAZ cruzando AMOR
Com um MENINO ao meio:
A ESTRELA mais fulgente
Em um céu de estrelas cheio.
 
Não é a estrela dos reis,
Nem a dos desamparados;
É a nossa ESTRELA GUIA,
Pra manter-nos irmanados.
 
Nem o céu é o mesmo CÉU,
Com seu brilho sem igual;
É TERRA vista do alto
Nestes dias de NATAL!
 
Se Deus quer e o homem pode,
Que mais querer, afinal,
Demos as mãos e façamos
Do ano inteiro... NATAL!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

DOIS AMIGOS PESCADORES


DOIS AMIGOS PESCADORES


 

Dois amigos pescadores,

Cada um mais mentiroso,

Saíram para pescar

Num riacho sinuoso.

Mais comiam que pescavam,

Bebiam que nem gambá…

O peixe, que era bom,

Sumira todo de lá.

Assim, passaram o dia

A falar da vida alheia!

Mas não perderam a pose

De quem tem a rede cheia.

A culpa um punha no outro,

De volta pelo caminho:

- Tu sempre me dás azar!…

Prefiro pescar sozinho.

Ontem mesmo ali pesquei

De um metro um lambari!

Só foi possível pescá-lo

Por não ter ninguém ali.

- Lambari qualquer um pesca,

Retruca-lhe o companheiro,

Pois eu mesmo ali pesquei

Aceso um candeeiro!

 - Deixa de ser mentiroso…

Aceso não é possível!

E mais, exclama o amigo,

Candeeiro é comestível?

- De comer ele não é…

Nem o é teu lambari,

Responde o colega. E sabes?

Vamos parar por aqui.

Não satisfeito o amigo,

Exigiu satisfação:

- Qual é o mais mentiroso,

Ou quem tem maior razão?

- Tudo bem, meu bom amigo,

Concordou o companheiro,

Reduz o teu lambari…

Que eu apago o candeeiro.

 

 

 

 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A MINHA ALDEIA


A MINHA ALDEIA

 
Não troco pela cidade,
Onde o barulho estonteia,
Uma parcela que seja
Da vida na minha aldeia.
2
Vivo feliz, mui contente,
Na minha simplicidade;
Vejo Deus aqui perto,
Do que se vê na cidade.
3
Não preciso de mansões,
Por mais vistosas que sejam;
Tenho uma pobre cabana
Onde os amores vicejam.
4
Não preciso de cinema,
Entre o povo coisa amada;
Tenho a natureza em flor,
Não aspiro por mais nada.
5
Não quero uma outra luz,
Nem de noite, nem de dia;
Tenho a candeia sagrada...
Me acompanha e alumia.
6
Não faz falta a prata fina
Nem o ouro reluzente.
Tenho prata nas nevadas,
O ouro em cada semente.
7
Dispensei todo o tapete,
E também perfumarias;
Tenho perfumes nas flores
Tapetes nas pradarias.
8
Os meus caminhos são largos,
Posso correr, saltar, ir...
Não me perseguem ladrões,
Nem carros a impedir.
9
Tenho árvores frondosas
Que me protegem do sol;
Mas o encanto dos meus olhos
Está nas cores do arrebol.
10
Tenho um cão, fiel amigo,
Capaz de morrer por mim.
Fala-se tanto de amigos...
Existem poucos assim!
11
Não me atraem os programas
De rádio ou televisão;
Mas adoro toda a orquestra
Que me fala ao coração.
12
Quando uma flauta de cana
Solfeja alegre canção,
Logo toda a natureza
Canta com animação.
13
Toma o burro a dianteira,
Com cadenciado passo,
Assume a missão honrosa
De marcar bem o compasso.
14
Segue-lhe de perto o melro,
O canário e a cotovia.
São famosos, conhecidos,
Estes solistas do dia.     
15
Gorjeios melodiosos
De bandos de passarinhos,
Chocalhos e muitos guizos
De ovelhas e cordeirinhos,
16
Trinados de rouxinol,
E até mesmo a cabra aflita,
Fazem acompanhamento
Naquela orquestra bendita.
17
Também não falta o cenário,
Muito rico e encantador;
Foi pintado ali por Deus...
Sonho de todo o pintor!
18
Na minha aldeia há de tudo,
Mais beleza e mais encanto...
Não há pinta de exagero
Naquilo que aqui eu canto
19
Assim, peço me desculpem,
Da cidade fiéis amantes...
Enquanto me restar vida,
Eu bradarei como dantes:
20
Não troco pela cidade,
Onde o barulho estonteia,
O Fornelos pequenino...
Pois ali é minha aldeia!
21
Do concelho de Cinfães,
Do distrito de Viseu,
Foi no lugar dos Aldreus
Bem ali que nasci eu.
 
 

terça-feira, 22 de abril de 2014

DE VOLTA A PORTUGAL

                                       DE VOLTA A PORTUGAL

                       
 - VASCO DURIENSE

Chega de promessas vãs,
Chega de viver de sonhos
À procura do perdido
Num céu de rostos tristonhos.

Brasil – Itália - Brasil
Cansei-me de procurar
Um lugar pra nós os dois
Finalmente descansar.

Minha mãe, me dê a mão.
Vamos voltar aos Aldreus,
Lá ao nosso paraíso,
Presente eterno de Deus.

 Nossa casinha está lá...
E todo o nosso bom povo,
De coração palpitante,
Pra nos receber de novo.

Ali foi o nosso inicio
Ali será nosso fim,
Nessa paz que nos rodeia
Mãe e pai juntinho a mim.



sábado, 19 de abril de 2014

A RAIVA MATA


A RAIVA MATA

 
É doença que traz a morte,
Fato incrível, e é querida:
Só fica nos corações
De quem lhe dá acolhida.

A raiva, que se guarda
No fundo do coração,
Não mata quem a gerou
Mas quem lhe dá atenção.

Quem faz raiva não a guarda,
Mas toda dá de presente;
Recebe-a o ignorante,
Guarda-a quem é demente.

É auto flagelação,
Uma dor que mata a alma,
Sem ferida e sem sangue,
Que nenhum consolo acalma.

Não come, nem se diverte,
E as noites passa acordado,
Enquanto quem lhe fez raiva
Passa bem, o desgraçado.

Sacode, bobão, a raiva,
Estraçalha doido açoite.
Muito bem o diz a bíblia:
-Com raiva nem uma noite.


 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

HOMENAGEM PÓSTUMA

SAUDADE, AMOR QUE FICA Minha mãe, quantas saudades A senhora em mim deixou! Foram-se todos os sonhos... Só o seu AMOR ficou. Tudo vai e tudo fica Neste eterno caminhar Que não repete emoções, Nem aceita retornar! Não lamento o que perdi, Pois melhor já recebi Sem o ser merecedor... A SAUDADE que hoje sinto, Pode crer, eu não lhe minto, É o fruto do seu AMOR. Eterna Homenagem à minha mãe PALMIRA SOARES

REQUIEM PARA O TREMA

REQUIEM PARA O TREMA

 

                                                  - VASCO DURIENSE
 

Tiraram o trema do “Ü”!
É muita burrice junta.
Agora ninguém mais sabe
Se se lê ou não lê nunca.

Se faz falta por que tiram?
Muito mais inteligente
É usar em seu lugar
Uma letra equivalente.

A que mais se lhe parece,
E já teve o mesmo som,
É o “v” da língua mãe
Pois, nem gera confusão.

Se depois de “q” ou “g”,
Palavra nenhuma tem
A letra “v” em seguida,
O “u” no “v” fica bem.

E assim continuará
A palavra “linguiça”,
Distinta e menos confusa
Da nossa velha “pregviça”.
 
Mantemos a regra antiga,
Porém, nenhuma exceção:
- No “qve” ou “qvi”, “gve” ou “gvi”
O “v” não se lê. Sempre é não.

Abra bem seu coração
Faça do trema um mosaico,
E para esconder o "u"
Ressuscite o “v” arcaico.

 Grite bem alto aos céus
Pra Camões também ouvir:
- Acordos com nossa língua?
Só bulir sem abolir.


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terça-feira, 15 de abril de 2014

A VEZ DO CARVOEIRO


A VEZ DO CARVOEIRO

 
Estava a formosa e rica donzela
Debruçada sobre o vão da janela,
Olhos cimentados o dia inteiro
Nos movimentos do jovem carvoeiro.

O jovem, ciente dos seus limites,
Resistia à tentação dos convites...
Saiu do emprego e, longe do carvão,
Subiu na vida, tornou-se patrão.

Terno e gravata, verniz nos sapatos,
Riso nos lábios, degustando os fatos,
Carregando flores, feliz, voltou.

Chamou a donzela bem docemente...
A porta abriu e fechou de repente:
- A vez do carvoeiro já passou!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A FERRADURA DÁ SORTE?


A FERRADURA DÁ SORTE?

 
 
Ora bem, meu irmão, diga-me lá:
Por quê a ferradura atrás da porta?
-Atrai fortuna, afasta a desventura,
Incentiva o trabalho e reconforta.

Saiba, então, que uma apenas é pouco demais
Pra quem tanto sonha fazer riqueza;
Ao menos duas, pra que não acabe...
Se é que é verdade, não se dê moleza:

Na porta da frente, na porta do lado
Crave-se ferradura, e guerra ao fado
Pro bem da nação, e fartura nossa;

Mas, se é mentira, não se dê suporte.
Pois bem, se a ferradura é que dá sorte,
Por quê o burro inda puxa carroça?

domingo, 13 de abril de 2014

JUSTIÇA CEGA


JUSTIÇA CEGA

 
O povo trabalha em busca do pão.
Antes que o dinheiro lhe chegue à mão,
Desconta na fonte a tributação,
Perde mais um tanto para a inflação,
E o pouco que resta leva o ladrão.

Se errado está Deus que dá o perdão,
Bem mais a justiça com a prisão:
Preso, não devolve nem um tostão
E mais se vicia na solidão;

Come sem trabalhar farta porção
Que é do prato do honrado cidadão...
E grita por direitos nos jornais!

Em meio a crimes tais, sem solução,
Ainda uma voz se escuta, a do povão:

- A nossa justiça é cega demais.

A MINHA FAMÍLIA


A MINHA FAMÍLIA


Minha mãe é aquela santa
Que minhas noites faz dia,
Maior mãe nunca existiu
Além da Virgem Maria.

O meu pai é caladão,
As obras mostram-lhe a fé,
Pra quem o conhece bem
Empata com São José.

Minha irmã, única irmã,
Não sei pra que veio ao mundo!
Herdou todas as virtudes
E me deixou em segundo.

A mim, um pobre inocente,
Me pregaram numa cruz...
Mas depressa me soltaram:
Nada tinha de Jesus!