quinta-feira, 24 de abril de 2014

A MINHA ALDEIA


A MINHA ALDEIA

 
Não troco pela cidade,
Onde o barulho estonteia,
Uma parcela que seja
Da vida na minha aldeia.
2
Vivo feliz, mui contente,
Na minha simplicidade;
Vejo Deus aqui perto,
Do que se vê na cidade.
3
Não preciso de mansões,
Por mais vistosas que sejam;
Tenho uma pobre cabana
Onde os amores vicejam.
4
Não preciso de cinema,
Entre o povo coisa amada;
Tenho a natureza em flor,
Não aspiro por mais nada.
5
Não quero uma outra luz,
Nem de noite, nem de dia;
Tenho a candeia sagrada...
Me acompanha e alumia.
6
Não faz falta a prata fina
Nem o ouro reluzente.
Tenho prata nas nevadas,
O ouro em cada semente.
7
Dispensei todo o tapete,
E também perfumarias;
Tenho perfumes nas flores
Tapetes nas pradarias.
8
Os meus caminhos são largos,
Posso correr, saltar, ir...
Não me perseguem ladrões,
Nem carros a impedir.
9
Tenho árvores frondosas
Que me protegem do sol;
Mas o encanto dos meus olhos
Está nas cores do arrebol.
10
Tenho um cão, fiel amigo,
Capaz de morrer por mim.
Fala-se tanto de amigos...
Existem poucos assim!
11
Não me atraem os programas
De rádio ou televisão;
Mas adoro toda a orquestra
Que me fala ao coração.
12
Quando uma flauta de cana
Solfeja alegre canção,
Logo toda a natureza
Canta com animação.
13
Toma o burro a dianteira,
Com cadenciado passo,
Assume a missão honrosa
De marcar bem o compasso.
14
Segue-lhe de perto o melro,
O canário e a cotovia.
São famosos, conhecidos,
Estes solistas do dia.     
15
Gorjeios melodiosos
De bandos de passarinhos,
Chocalhos e muitos guizos
De ovelhas e cordeirinhos,
16
Trinados de rouxinol,
E até mesmo a cabra aflita,
Fazem acompanhamento
Naquela orquestra bendita.
17
Também não falta o cenário,
Muito rico e encantador;
Foi pintado ali por Deus...
Sonho de todo o pintor!
18
Na minha aldeia há de tudo,
Mais beleza e mais encanto...
Não há pinta de exagero
Naquilo que aqui eu canto
19
Assim, peço me desculpem,
Da cidade fiéis amantes...
Enquanto me restar vida,
Eu bradarei como dantes:
20
Não troco pela cidade,
Onde o barulho estonteia,
O Fornelos pequenino...
Pois ali é minha aldeia!
21
Do concelho de Cinfães,
Do distrito de Viseu,
Foi no lugar dos Aldreus
Bem ali que nasci eu.
 
 

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